1975 Tipografia, introdução de Robert Bringhurst

16 de dezembro de 2014

Tipografia, introdução de Robert Bringhurst
Vista com olhos mais cândidos, ou de uma perspectiva mais cautelosa, a tipografia ainda evoca o pasmo e o terror com que assustou o mundo medieval É uma arte negra que confina com a inseminação artifical e pode propor questões morais igualmente difíceis. […] Solta no mundo, é um vetor incontrolável, como o mosquito portador da malária, capaz de espalhar ideias indiscriminadamente como se fossem vírus ou germes. As possibilidades de seu uso e abuso são potente e inumeráveis.
Está em A forma do livro de Jan Tschichold,
Atelier, São Paulo, 2007.

1970 Wim Crouwel

16 de dezembro de 2014

Assim como Wolfgang Weingart antecipa o Photoshop com seus cartazes do período 1977-1983, Crouwel prévisualiza quase tudo o que aconteceu com a tipografia na era dos computadores, no texto ‘Type design for the computer age’, no Journal of Typographic Research, vol. 4 nº1, 1970:
“L’ordinateur se compose d’un assemblage de cellules […] qui ressemble fort à la composition des organismes vivants et à la structure de notre société tout entière, [et qui] pourrait servir de points de départ au développement de nombreux caractères” nous dit Crouwel, pointant par ailleurs l’anachronisme qui menace la forme de l’écriture. Celle-ci devrait en effet refléter l’état de l’art et de la science de l’époque, et l’élégance classique des empattements des pleins et des déliés d’un ‘R’ du XVIº siècle s’accorde mal à l’environnement contemporain”, complète Catherine de Smet. (Pour une critique du design pratique. Dix-huit essais, Paris, B42, 2013.)
Resumindo em português:
“O computador é composto por um conjunto de células [...], que se parece muito com a composição dos organismos vivos e a estrutura de nossa sociedade, [e] poderão servir como pontos de partida para o desenvolvimento de muitos caracteres” Crouwel diz, apontando também o anacronismo que ameaçada a atual forma da escrita. Isso deve realmente refletir o estado da arte e da ciência de sua época […], completa Catherine de Smet.

02 Livro pensadora. Trabalhando muito além 
das fronteiras convencionais

16 de dezembro de 2014

Elaine Ramos é uma das principais referências do atual design editorial brasileiro. Destacou-se por projetos sofisticados e instigantes de obras literárias e pelo trabalho colossal, com Chico Homem de Melo em Linha do tempo do design gráfico no Brasil, da Cosac Naify em 2012.

Quando e como o livro entrou na sua vida profissional? Pela leitura, pela escrita ou pelo design?
Eu diria que entrou mais pelo design mesmo. Logo depois que saí da FAU/USP entrei na Cosac Naify, para trabalhar junto ao Fabio Miguez e adaptar o projeto dele da série Espaços da Arte Brasileira (que até então só tinha artes plásticas) para arquitetura. Já tinha projetado alguns livros, publicações da própria FAU e para o SESC, mas acho que foi mesmo dentro da Cosac Naify que eu me encantei com esse objeto.
Em que ano você terminou a FAU e iniciou na editora?

Terminei a faculdade em 1999, em agosto do ano seguinte entrei na Cosac Naify.
Desde este momento até hoje, no seu ponto de vista, o que mudou mais profundamente o trabalho editorial e o caráter do livro?

Nessa altura a editora tinha apenas cerca de cinquenta títulos, e hoje ela tem mais de mil, portanto vivi todo o processo de profissionalização da Cosac. Acho que ela representa uma renovação no mercado em vários aspectos, sobretudo por publicar artes visuais (arte, fotografia, arquitetura, design), por aproximar o livro de texto do livro de arte, e por pensar o livro de forma integrada –capa e miolo– buscando     diferencias em termos de material, encadernação etc. de forma integrada ao conteúdo. E nesse período o cenário mudou muito, de lá pra cá, temos o grande impacto do crescimento da internet, o eBook, as redes sociais. Houve também a entrada no Brasil dos grupos editoriais internacionais, a fusão de grandes editoras etc. O mercado ficou maior e mais 
competitivo, e mais reiterativo, ou seja, vendas concentradas em menos títulos.
As transformações desse período em que estás envolvida com design editorial, atingiram a sociedade de forma avassaladora e o livro e os hábitos de leitura também precisaram se adaptar às mudanças. Alguns de seus projetos editoriais sinalizam e indicam alguns caminhos para o futuro do livro com sagacida e inovação.  Quais as preocupações que o designer deveria ter ao projetar nesta cenário?

Já faz algum tempo que o livro impresso deixou de ser a única maneira de se endereçar um conteúdo extenso de texto e/ou imagens. Acho que então, para o designer –mobilizar toda a enorme cadeia produtiva necessária para sua existência– é fundamental que tire partido do fato de ser um objeto, em todas as suas potencialidades. Não faz mais sentido que ele seja apenas um veículo neutro. O livro, como objeto, tem que agregar sentidos ao conteúdo.Screen shot 2014-12-16 at 4.43.55 PM
Dentre seus projetos, —pessoais ou profissionais—, qual ou quais poderias classificar como mais experimental.
Acho que os mais experimentais são o Bartleby, o escrivão, Zazie no metro e Avenida Niévski. Todos fazem parte do que chamamos hoje de Coleção Particular, edições com a proposta de construir um diálogo estreito entre forma e conteúdo. Fiz também um pequeno livro de artista, em parceria com a Maria Carolina Sampaio, que se chama Urgente. Trata-se de um livretinho feito com o papel fotossensível usado nas cópias heliográficas. O livro foi sensibilizado e lacrado sem passar pelos processo de revelação e fixação. O resultado é que as composições de silhuetas de objetos obsoletos ligados às artes gráficas que sensibilizaram o papel ficavam cada vez mais escuras sob os olhos do leitor, que também podia interagir com o livro, marcando com novos objetos. Um comentário sobre a passagem do tempo e a obsolescência.
Qual, foi o mais receptivo no mercado?
Quanto ao mais receptivo, o próprio Bartleby é um sucesso de vendas para os padrões da Cosac Naify, vende uma edição por ano até hoje (foi lançado em 2005) e muita gente me procura porque está fazendo TCC ou mestrado sobre ele, ou sobre a Coleção Particular em geral. O Antologia da Literatura Fantástica é o nosso livro mais vendido no mercado em 2014.
As novas gerações de designers podem ter um futuro no mundo do design editorial? Como eles devem se preparar enfrentar esse período de “fim do livro”?
Acredito que a tarefa de dar forma adequada a um conteúdo sempre será valiosa, independentemente da mídia. As oportunidades de trabalho relevantes não estão (e nunca estiveram) dadas, cabe ao designer inventá-las, e para isso o envolvimento com o conteúdo é fundamental.

Profissional da área: grande logotipo(gráfico)

16 de dezembro de 2014

Kerning 2014-12-16 at 3.59.43 PM

Papaya + embalagem de feira livre

5 de dezembro de 2014
Papaya falante, São Paulo, 2014

Papaya falante, com mãos e pés do Mickey, São Paulo, 2014

Outras palavras

4 de dezembro de 2014

01 What is lettering?
Lettering is the craft of drawing letters. It’s not a font that you can buy somewhere and type your text with. It’s more like a drawing with the shape of letters, that form words and text; it’s unique and custom.
http://www.lettercollections.com

02 Tipografia, introdução de Robert Bringhurst
Vista com olhos mais cândidos, ou de uma perspectiva mais cautelosa, a tipografia ainda evoca o pasmo e o terror com que assustou o mundo medieval. É uma arte negra que confina com a inseminação artifical e pode propor questões morais igualmente difíceis. […] Solta no mundo, é um vetor incontrolável, como o mosquito portador da malária, capaz de espalhar ideias indiscriminadamente como se fossem vírus ou germes. As possibilidades de seu uso e abuso são potente e inumeráveis.
A forma do livro, Jan Tschichold,

03 Responsabilidade, segundo Vilém Flusser
A questão da responsabilidade e da liberdade (inerente ao ato de criar) surge não apenas quando se projetam os objetos, mas também quando eles são jogados fora. Pode ser que essa tomada de consciência da efemeridade de toda criação (inclusive a criação de designs imateriais) contribua para que futuramente se crie de maneira mais responsável, o que resultaria numa cultura em que os objetos de uso significariam cada vez menos obstáculos e cada vez mais veículos de comunicação entre homens. Uma cultura, em suma, com um pouco mais de liberdade.
Design: obstáculo para a remoção de obstáculos. O Mundo Codificado. Vilém Flusser.

AGI Open SP

24 de novembro de 2014

Agosto [2014] abriu o semestre do design gráfico em São Paulo com inúmeras atrações. A principal foi a realização do AGI Open São Paulo, e um conjunto de palestras com dezenas de designers do mundo todo que palestraram no teatro Ibirapuera. Duas delas fizeram a plateia delirar:  ¶ a de Guto Lacaz e suas ideias luminosas e instigantes, obrigou o público e os visitantes refletir sobre o Brasil com sua performance dedicada ao designer Santos Dumont; ¶ Takuma Sato, o japones que também tem uma banda musical, mostrou seu programa de TV sobre design, para criancas, deixando embasbacados aqueles que ainda trabalham dentro dos fronteiras tradicionais do design gráfico. Fronteiras foi o que não se viu: ¶ a dupla holandesa-portuguesa Rik & José fez a apresentação mais bem-humorada e cruel de todas. Mostrou que dificuldades são comuns em todo canto do planeta: sem dinheiro para pagar o aluguel, fecharam o escritório 
e acamparam em casa; ¶ Max Kisman realizou uma longa , as vezes complexa, digressão sobre suas origens de forma emocionante; ¶ falando em português, Antonio Silveira Gomes mostrou o resgate de O livro homem do poeta português Paulo de Cantos; ¶ a brasileira Marina Willer encantou com sua apresentação sobre acasos e erros; ¶ Kenya Hara mostrou indiretamente suas ideias em brilhantes, engraçados e interessantes projetos de seus alunos… aula magna ou curso de extensão de vinte minutos. Inesquecíveis também foram ¶ a cínica e humorada performance de Jan Wilker; ¶ a tensa leitura da dinamarquesa Nikki Gonnissen; e ¶ a mostra jazzística de Niklaus Troxler. RicoLins e Kiko Farkas, ao lado de Lars Müller, foram os comandantes da festa.

Eye Magazine #88. Education: Open Up the Future, texto Claudio Ferlauto
Eye Magazine #88. Education: Open Up the Future, texto Claudio Ferlauto

A trilogia Wollner

24 de novembro de 2014

¶ O livrão do Alex é para estrangeiros, e brasileiros que, além de imagens, lêem alemão ou inglês. Catálogo da mostra alex wollner brasil: design visual realizada em Frankfurt, no Museum Angewandte Kunst é a obra que completa uma trilogia iniciada pela edição de Design: 50 anos, de 2002 e seguida por Alexandre Wollner: e a formação do design moderno no Brasil, de 2005. O primeiro do próprio Wollner e o segundo um projeto de André Stolarski, que compunha com um vídeo, um ensaio compacto sobre as ideias e obras do autor. [Há também o livro da Rosari, editado por mim, intitulado Textos recentes e escritos históricos de 2002] ¶ Essa obra de 2013 amplia –com um olhar retrospectivo e ao mesmo tempo atual,– a obra do designer. Aspectos sedutores de sua produção e de suas experiências pessoais são revelados com minúcias por olhares: críticos de Malou von Muriat e André Stolarsi e, sobretudo, pela visão do autor. ¶ Mas dois aspectos chamam a atenção na obra: o resgate iconográfico do longo trajeto de Wollner pela MASP, Escola de Ulm, forminform, ESDI, Wollner Designo; e sua rigorosa postura metodológica, que tem servido de norte para muitas gerações de jovens no Brasil. As fotos na Alemanha, São Paulo e Rio de Janeiro enriquecem e humanizam o designer e os projetos recentes reforçam sua relevância nos dias atuais. ¶ Os detalhes visuais que nascem das pesquisas são tanto encantadores como esclarecedores de seu pensamento: o design de Wollner é sempre fiel às suas origens modernistas.Screen shot 2014-11-24 at 7.46.08 PM

PORQUE AS CRIANÇAS DEVEM APRENDER A PROGRAMAR. E VOCÊ TAMBÉM

24 de novembro de 2014

[…] A liberdade de decisão de pressionar uma tecla com a ponta do dedo mostra-se como uma liberdade programada, como uma escolha de possibilidades prescritas. O que escolho, o faço de acordo com as prescrições. ¶ Por isso, é como se a sociedade do futuro [a atual], imaterial, se dividisse em duas classes: a dos programadores e a dos programados. A primeira seria daqueles que produzem programas, e a segunda, daqueles que se comportam conforme os programas. A classe dos jogadores e a classe das marionetes. Mas essa visão parecer ser muito otimista. Pois o que os programadores fazem quando pressionam as teclas para jogar com símbolos e produzir informações é o mesmo movimento de dedos feitos pelos programados. Eles também tomam decisões dentro de um programa, que poderíamos chamar de “metaprograma”. E os jogadores do metaprograma, por sua vez pressionam metateclas de um “metametaprograma”. E esse recurso de meta a meta, de programadores dos programadores de programadores, revela-se infinito. Não: a sociedade do futuro [a atual], imaterial, será uma sociedade sem classes, uma sociedade de programados programadores. Essa é portanto a liberdade de decisão que nos é aberta pela emancipação do trabalho. Totalitarismo programado. ¶ Mas trata-se certamente de um totalitarismo extremamente satisfatório, pois os programas são cada vez melhores. Ou seja, eles contêm uma quantidade astronômica de possibilidades de escolha que ultrapassa a capacidade de decisão do homem. De modo que, quando estou diante de uma decisão, pressionando teclas, nunca me deparo com os limites do programa. […]
VILÉN FLUSSER,
A não coisa [2],
em O mundo codificado, CosacNaify.

OlharGráfico/revista Abigraf#272 Julho–Agosto

23 de outubro de 2014

olhar gráfico
a trilogia wollner

¶ O livrão do Alex é para estrangeiros, e brasileiros que, além de imagens, lêem alemão ou inglês. Catálogo da mostra alex  wollner brasil: design visual realizada em Frankfurt, no Museum Angewandte Kunst é a obra que completa uma trilogia iniciada pela edição de Design: 50 anos, de 2002 e seguida por Alexandre Wollner:  e a formação do design moderno no Brasil, de 2005. O primeiro do próprio Wollner e o segundo um projeto de André Stolarski, que compunha com um vídeo, um ensaio compacto sobre as ideias e obras do autor. ¶ Essa obra de 2013 amplia –com um olhar retrospectivo e ao mesmo tempo atual,– a obra do designer. Aspectos sedutores de sua produção e de suas experiências pessoais são revelados com minúcias por olhares: críticos de Malou von Muriat e André Stolarsi e, sobretudo, pela visão do autor. ¶ Mas dois aspectos chamam a atenção na obra: o resgate iconográfico do longo trajeto de Wollner pela MASP, Escola de Ulm, forminform, ESDI, Wollner Designo; e sua rigorosa postura metodológica, que tem servido de norte para muitas gerações de jovens no Brasil. As fotos na Alemanha, São Paulo e Rio de Janeiro enriquecem e humanizam o designer e os projetos recentes reforçam sua relevância nos dias atuais. ¶ Os detalhes visuais que nascem das pesquisas são tanto encantadores como esclarecedores de seu pensamento: o design de Wollner é sempre fiel às suas origens modernistas.
OlharGráfico
AGI Open

Agosto abriu o semestre do design gráfico em São Paulo com inúmeras atrações. A principal foi a realização do AGI Open São Paulo, e um conjunto de palestras com dezenas de designers do mundo todo que palestraram no teatro Ibirapuera. Duas delas fizeram a plateia delirar:  ¶ a de Guto Lacaz e suas ideias luminosas e instigantes, obrigou o público e os visitantes refletir sobre o Brasil com sua performance dedicada ao designer Santos Dumont; ¶ Takuma Sato, o japones que também tem uma banda musical, mostrou seu programa de TV sobre design, para criancas, deixando embasbacados aqueles que ainda trabalham dentro dos fronteiras tradicionais do design gráfico. Fronteiras foi o que não se viu: ¶ a dupla holandesa-portuguesa Rik & José fez a apresentação mais bem-humorada e cruel de todas. Mostrou que dificuldades são comuns em todo canto do planeta: sem dinheiro para pagar o aluguel, fecharam o escritório e acamparam em casa; ¶ Max Kisman realizouuma longa , as vezes complexa, digressão sobre suas origens de forma emocionante; ¶ falando em português, Antonio Silveira Gomes mostrou o resgate de O livro homem do poeta português Paulo de Cantos; ¶ a brasileira Marina Willer encantou com sua apresentação sobre acasos e erros; ¶ Kenya Hara mostrou indiretamente suas ideias em brilhantes, engraçados e interessantes projetos de seus alunos. aula magna ou curso de extensão de vinte minutos. Inesquecíveis também foram ¶ a cínica e humorada performance de Jan Wilker; ¶ a tensa leitura da dinamarquesa Nikki Gonnissen; e ¶ a mostra jazzística de Niklaus Troxler. RicoLins e Kiko Farkas, ao lado de Lars Müller, foram os comandantes da festa.