Projetos editoriais para Rosari nos USA

3 de junho de 2015

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O nascimento da arte minimalista

29 de maio de 2015

Em História Natural
de Plínio, o velho
anos 23-79

Sabe-se o que se passou entre Protógenes e ele [Apeles de Cós]. O primeiro vivia em Rodes. Tendo Apeles navegado para lá, desejoso de conhecer obras de quem conhecia só de fama, imediatamente dirigiu-se a seu estúdio. Protógenes não estava, mas havia um quadro de grandes proporções disposto num cavalete para ser pintado e uma velha tomando conta. Ela informou que P. estava fora e perguntou quem deveria dizer que o procurou. “Este”, disse Apeles, e tomando o pincel traçou uma linha colorida extremamente fina através do quadro. Voltando P., a velha mostrou-lhe o que tina acontecido.
O artista, conta-se, observando tamanha subtileza, teria dito que fora Apeles que ali viera — nenhum outro seria capaz de obra tão perfeita. Ele próprio teria então traçado uma linha de outra cor, mais fina, sobre aquela em ao sair, teria recomendado que, se o outro voltasse, mostrasse a ele e acrescentasse que era aquele o homem a quem estava procurando.
Foi o que aconteceu. Voltou Apeles e, enrubescendo por ter sido vencido, cortou as linhas com uma outra cor, não deixando espaço para traçado mais fino. Protógenes, então, confessando-se derrotado […] decidiu que o quadro deveria ser entregue à posteridade, como digno da admiração de todos, mas sobretudo dos artistas.


A Pintura

Textos essenciais

Direção de Jacqueline Lichtenstein
Editora 34

Olhar gráfico Revista Abigraf #276

20 de maio de 2015

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Eduardo Braga & Patrícia Rezende. Pessoas.

14 de maio de 2015

Como foi o início de sua formação?
Então, minha formação na FUMA de 1988 a 1992, foi muito rica na construção de novos olhares, novos pensamentos, comportamentos e posicionamentos metodológicos criativo para o design. Tudo estava em formação e transformação. Era uma ebulição em tempo integral. Aconteceu a mostra de design na IBM organizada pelo Romeu Dâmaso; o Centro de Design estava se organizando, participamos ativamente como aluno e depois como monitor e mais tarde como professor orientador do pensamento, construção, implantação e criação projetual do Laboratório de Design Gráfico que tinha em sua marca a sua afirmação máxima: Elaboratório de Design Gráfico. Este projeto foi “bancado” e coordenado pela Bernadete Teixera. Vivia a escola em tempo de três turnos: pela manhã, como estudante, a tarde no elaboratório e a noite monitor nas 
cadeiras de Análise Gráfica e Processos e Materiais de Impressão. O quarto turno era de discussão incessante sobre design, debates conceituais que varavam a madrugada. E se tudo isso não bastasse no laboratório e nas aulas tínhamos grandes profissionais do mercado cada um com sua expertise, abertos, sinceros e dispostos a formar uma geração profissional.
E além desse quarto turno, o que acontecia?
No meio de tudo isso, existia o “universo FUMA de ser”. Muita música, fotografia, aquela vontade de descobrir e fazer. Mais tarde junto com alguns membros do laboratório e da sala montamos “o processo” CASA NÃO, uma espécie de grupo, que hoje seria chamado de coletivo. Um local de discussão sobre design e suas convergências –importante frisar que na FUMA já se discutia e praticava o design único como profissão, ou seja a junção dos cursos em uma plataforma curricular integrada– onde era proibido falar a palavra ‘não’ durante as discussões. As discussões rendiam dias e noites, finais de semana e se transformavam em projetos como a tipografia desenhada para o livro de termos técnicos do IEPHA. Soma-se a isso as palestras, participações em mostras e cursos de profissionais como o Silvio Silva, da Lumen Design, de Curitiba;  Alvaro Guillermo, Lucy Niemeyer, Adélia Borges, Gilberto Strunck e outros grandes profissionais, professores e pensadores do design.
A estrutura curricular atrapalhava ou já continha desafios?
Estavamos em um lugar mágico, em um momento único. Foram cinco longos anos de quatro turnos diários de envolvimento. Lembro-me de um curso com o Carlos Righi – Um provável futuro para o design onde ele abordou, em 1991, temas que ainda hoje são atuais: biodesign, a teoria dos fractais, caos e prossêmica. Neste cenário compreendi que tinha que conhecer muito bem quatro disciplinas: semiótica, materiais e processos de produção, metodologia. Aqui cabe uma ressalva –existia um debate e a briga clássica na escola sobre metodologia projetual– tínhamos a defesa da metodologia científica e tínhamos a visão do Márcio Lambert que entendia e defendia que design era comunicação o que soava uma heresia apesar de toda modernidade da escola.
De onde se originaram suas ideias atuais?
Esta plataforma, somada a nossa curiosidade natural, o desejo pelo novo, pela tecnologia e tudo o que aprendi em minhas viagens e anos intercalados de trabalho com meu pai  –um comerciante nato, dedicado, rigoroso consigo e com os outros, muitas vezes visonário, ávido pelas culturas por onde andava e sua curiosidade natural de quem não estudou– e as minhas variadas amizades em diversas esferas sociais e a vivência em um bairro com uma cultura muito particular (de onde vem também Jimmy Leroy) lançaram as bases para o que penso e faço hoje, a Pessoas Comunicação de Marcas.
Mas existiram outras etapas?
Importante relatar que minhas passagens pela Rede Minas de Televisão e pela USIMINAS como estagiário, aliás primeiro estagiário de design nestas empresas, me mostraram dois lados opostos e complementares do design. O design para o design, a favor da linguagem, do pensamento e do posicionamento cultural e o design a favor do posiconamento produtivo, imperativo, operacional, funcional e executivo. Formado em 1992, em 1993 já lecionava. Levamos a fundo as experimentações em sala de aula. Ali extrapolamos as normas, métodos e chutamos para o ar considerações, observações e senões. Extraímos resultados 
inimaginávies dos alunos. Foram anos de vivência e eficiência impressionantes. Tudo que construímos na FUMA nos serviu 100%. Neste início de carreira tive como meu primeiro cliente na Tribo.In Design a pequena grande gigante transnacional Unilever. Trabalhamos com eles por treze anos e vivenciamos, praticamos, e principalmente planejamos ações completas de design, misturando o nosso universo de caos ao planejamento e rigor executivo britânico. Nos demos bem, nossa relação era de cumplicidade e complementação. Eles tinham a estratégia, o planejamento impecável que extraim de nós a criatividade, a produção apurada e o desenvolvimento metodológico. Essa parceria abriu portas para nós e vieram a Coca-Cola, a FIAT, a Bosch, várias pequenas empresas e várias grandes nacionais como Banco Mercantil do Brasil, Banco Rural, o Governo Federal.
Como foi a evolução desse processo para a Tribo.In?
Como todo novo processo que te extrai o máximo, ele também satura o que de melhor você faz e ao término do contrato com a Unilever tínhamos um processo de trabalho surpreendente, que extrapolava as fronteiras do design para a época:  tinhamos design thinking, gestão de marca e várias dessas ferramentas atuais do design, que usamos em projetos inovadores para a ABB–Asea Bown Boveri, Arturo´s, Rede Globo dentre outros. Nesta época 2003 estávamos cansados da FUMA –que agora era UEMG–  e já estávamos na PUC em uma proposta fantástica de criar um curso de comunicação integrada com design. Me envolvi e vi muito de todas as áreas da comunicação, me interessei pela gestão de marcas e logo estava aprendendo e lecionando no pioneiro curso de pós-graduação de Gestão de Marcas de Belo Horizonte.
E isso levou a novos caminhos?
Resolvemos que era hora de repensar nossa atuação, função e empresa. Em 2001 partimos para a gestão de marcas como foco de trabalho, abolimos a nossa sede física e passamos a trabalhar totalmente na nuvem (na época era FTP), com uma proposta de trabalho compartilhado, remoto e planejado. Não interessavam mais projetos de design e sim a estratégia criativa. Lancei essas bases ao implantar nos cursos de design da FUMEC,  na disciplina de Gestão do Design. Somei as vivências acadêmica e profissional e praticamos de 2001 a 2010 a expansão e afirmação conceitual da Tribo.In como uma empresa de gestão estratégica criativa do design. Vieram os projetos de gestão e design para as marcas Rede Minas, o projeto Vota Brasil para o TSE/Governo Federal, o vitorioso, não menos difícil e compensador projeto de gestão de marca e design para o Bazar Guri, uma empresa familiar, do interior, que até os 48 anos de existência nunca tinha contratado nenhum serviço de design. Fizemos a gestão da marca por mais de dez anos e obtivemos resultados fenomenais. O formato era simples: empresa na nuvem, acesso remoto, equipe virtual, presença estratégica via pensamento de design, atendimento, gestão e criação de design minha. Mais um ou dois profissionais por marca apoiados em um pequeno departamento de comunicação nas empresas e a eficiente invisível gestão executiva financeira 
da Patricia Rezende.  A base eram contratos anuais remunerados por fee mensais em escalas bem definidas de custo hora de presença e onipresença, com planejamento eficiente, controle operacional, livre acesso a todos os departamentos e escalões da empresa e presença cativa na diretoria e conselhos para participar efetivamente da tomada de decisão e criação das matrizes gráficas. Some-se a isso a evolução constante no meio acadêmico na PUC e na FUMEC. Tudo isso empacotado em um dia de sempre 12h a 16h, mas muitas vezes de 18h intermináveis de trânsito, celular, reuniões, mapeamentos, percepções, estudo da busca pela 
autenticidade, pelo novo mais uma vez.
E, finalmente, algumas sinal no final do tunel? Um novo jeito de realizar os sonhos do quarto turno?
Em 2010, uma parada. As horas de nuvem, quilometragens, salas, reuniões, crianças e nenhum esporte me levaram a uma parada. Nos afastamos da universidade e fizemos uma, revisão do projeto de vida, Em 2011 planejamos a criação das Pessoas Comunicação de Marca: um ano para pensar em um projeto novo e enfim a descoberta das Pessoas. 
Não que eu não as conhecesse: estava com elas todo o dia, todos os dias, as mapeava, delineava, mas não as tinha em pensamento e sim em planejamento. Agora só trabalhamos com as pessoas.
OLHAR GRÁFICO Revista Abigraf #276, março–abril, 2015

Escrever é fácil

14 de maio de 2015

Para podermos escrever, necessitamos, entre outros fatores, do seguinte:
de superfície vazia (folha),
de instrumento (caneta),
de determinados signos (letras),
de convenção estabelecendo o significado dos signos (conhecimento que letras significam sons),
de regras que ordenam os signos (ortografia),
de um conjunto de sons significados pelos signos (de língua),
de regras que ordenam tal conjunto (gramática),
de convenção estabelecendo o significado dos sons significados por letras (do conhecimento da semântica da língua),
de uma mensagem a ser escrita (de ideias).
Finalmente precisamos de um motivo para escrever,
mas isto já é outro problema.

Gestos
Vilém Flusser
1991

Superficial

14 de maio de 2015

Há alguns milhares de anos, alguns mesopotâmicos decidiram arranhar a superfície mole de barro com pauzinhos pontudos e tal gesto é a origem do escrever ocidental e mostra o que é essencialmente, todo texto escrito é in-scrição, embora seja sobre-scrição na maioria dos textos do presente. De modo que, por sua essência, o gesto de escrever não é construtivo, mas penetrante. Não cobre a superfície, entra nela.

Gestos
Vilém Flusser
1991

Porque livros impressos ainda são importantes —por Timothy Young • Final

9 de março de 2015

8. Um livro é um objeto de beleza e habilidade humana.
Mesmo sozinhas/isoladas essas qualidades têm significativo valor .

9. Quando você está lendo um livro em um lugar público, outras pessoas podem ver o que você está lendo.
A leitura é geralmente uma atividade privada, mas também tem funções sociais. Mesmo quando temos um livro na frente de nossos olhos, estamos dizendo ao mundo o que estamos lendo, ou no mínimo, estamos lendo um livro, em vez de twittar sobre livros que gostaríamos de estar lendo …

10. A Internet nunca vai conter todos os livros.
O crescimento da informação é exponencial, com vastos universos de novos dados criados on-line todos os dias. Muitas informações antigas – em forma de livros, revistas e panfletos – nunca estarão online. Há projetos e subvenções para a digitalização de temas específicas – de jornais provinciais ingleses do século XVIII,  e impressos latino americanos –  mas significativas conjuntos de impressos mais simples nunca serão disponibilidades.

O oceano/Cadernos do olhar #10 Ano III

9 de março de 2015

http://issuu.com/olhargrafico/docs/cadernos_issuu_olhar_10
issuu.com/olhargraficoScreen shot 2015-03-09 at 3.42.38 PM

Aprendendo como criar e como desencadear o processo criativo • Revista Abigraf #275 

26 de fevereiro de 2015

Renata Rubim, designer pioneira na divulgação do design de superfície no país, é formada pelo IADE em São Paulo, e estudou na Rhode Island School of Arts, em Providence, EUA. Atualmente dirige a empresa Renata Rubim Design & Cores, localizada em Porto Alegre e realiza workshops e palestras em todo o Brasil. <renata@renatarubim.com.br>

Artistas, escritores e designers costumam ter registros de ideias, notas e imagens para 
utilização em seus projetos. Há quem desenhe, outros fotografam e uns escrevem.
 Quais os processos de registro que mais ajudam no teu processo de trabalho?
— Prefiro os registros fotográficos. Aprendi nos EUA a trabalhar a partir de imagens e acho fantástico como esse método desencadeia o processo criativo! Hoje com as tecnologias disponíveis fica cada vez mais apetitoso trabalhar assim. Mas não tenho preconceito com ideias. Principalmente quando elas surgem espontâneamente, sem pedir licença. Tenho a impressão que elas são fruto tanto da experiência e conhecimento acumulado, como também do exercício constante em não me prender a conceitos estabelecidos.
A experiência passada geralmente induz a escolhas com 
algum grau de repetição e não ter conceitos fixos, 
uma certa liberdade. A escolha de um ou de outro 
caminho te influencia muito no processo de trabalho?
— Considero bastante importante que haja a percepção de que temos tendência a repetições nas nossas escolhas, sejam elas no trabalho ou no cotidiano, na criação ou no desenvolvimento, para driblarmos esses hábitos.
Screen shot 2015-02-26 at 11.09.11 AME achas que as respostas desse processo de trabalho definem tua produção?
—Não tenho o distanciamento suficiente da minha produção para perceber se tenho uma identidade (ou “estilo”), mas gostaria muito de não ser facilmente identificada. Acho que o designer não precisa ter “cara” ou “estilo”. Ele tem de resolver problemas e situações. Entretanto, como não temos como alterar nossa “caligrafia”, é interessante mantermos a capacidade de apresentarmos soluções que causem certa surpresa. Aquilo que hoje chamam de inovação…
E, normalmente, quais são as principais fases de teu processo de trabalho?
—Caso o projeto encomendado tenha um briefing normalmente começo trabalhar algumas ideias, antes da pesquisa de referências, que mesmo assim é feita. Seguem-se as fases de criação, experimentação, alterações, tentativas. Sem tirar o olho no usuário daquele projeto. No caso de projeto para oferecer ao mercado o processo é diferente: primeiro a percepção de uma oportunidade e que nem sempre é bem sucedido. Em seguida, como toda ação empreendedora envolve diversos aspectos e riscos , como todas iniciativas que buscam sucesso sem investimentos prévios… É quase um jogo de xadrez porque além de design tem de haver estratégia, sorte e muito, muito empenho.
No teu livro Desenhando a superfície (Rosari, 2005) você elabora um pensamento sobre 
a intuição e a racionalização, quando descreves tua experiência como aluna que 
desenhava no lugar da aluna clássica que devia escrever e que a partir de certo ponto 
“…fui desenhando menos e a criatividade foi sendo reprimida ao longo do período escolar… ”Algo parecido aconteceu com Zuzana Licko, a tipógrafa tcheca que trabalha na California, era canhota e foi obrigada a praticar caligrafia com a mão direita. Depois de adulta nunca mais desenhou e descobriu no computador sua ferramenta para criação. O quê restou dessa experiência, e principalmente dessa conscientização, para sua seu processo criativo?
—Continuo desenhando nas etapas iniciais talvez porque tenha nascido “analógica”. Consigo transitar bem pelo digital, mas pensar e estruturar desenhos, faço na mão.  O que eu perdi no período escolar foi saber “como criar” ou seja, desencadear o processo criativo e isso resgatei através de uma metodologia que aprendi a usar nos EUA que pode ser utilizada pelo desenho ou por softwares. Nos workshops que tenho dado percebo que a maioria dos alunos prefere retomar o papel e lápis quando trabalhamos esse método. Gosto de comparar aos treinos numa academia: a gente exercita os músculos para deixá-los fortes. Podemos fazer o mesmo com o olhar.
Confiar no olhar, recomenda o norte-americano Elliot Earls —”a mão e a retina devem se movimentar simbióticamente em passos seguros que nos levam a produzir o traço físico, real. É por meio desse processo que podemos aprender a confiar não na mente, mas na retina”. Como essa metodologia ajuda a passagem do traço real para o traço virtual?
A retina é constantemente influenciada pela mente e só é possível desfazer isso (um pouco) ao se aliar a prática da meditação aliada ao exercício criativo. Acho muito difícil explicar verbalmente mas consigo dar exemplos aos meus alunos quando aceitam fazer os exercícios em aula e refletir sobre os resultados. Claro que não estou afirmando que a pessoa se desfaz totalmente da mente racional. Talvez eu possa traduzir assim: cada um de nós conserva sua “caligrafia”, mesmo que escreva histórias com tonalidades e humores variados. Essa mesma expressão se mantém na passagem do real para o virtual.

Anúncio, anos 1940, Porto Alegre, RS

26 de fevereiro de 2015

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