AGI Open SP

24 de novembro de 2014

Agosto [2014] abriu o semestre do design gráfico em São Paulo com inúmeras atrações. A principal foi a realização do AGI Open São Paulo, e um conjunto de palestras com dezenas de designers do mundo todo que palestraram no teatro Ibirapuera. Duas delas fizeram a plateia delirar:  ¶ a de Guto Lacaz e suas ideias luminosas e instigantes, obrigou o público e os visitantes refletir sobre o Brasil com sua performance dedicada ao designer Santos Dumont; ¶ Takuma Sato, o japones que também tem uma banda musical, mostrou seu programa de TV sobre design, para criancas, deixando embasbacados aqueles que ainda trabalham dentro dos fronteiras tradicionais do design gráfico. Fronteiras foi o que não se viu: ¶ a dupla holandesa-portuguesa Rik & José fez a apresentação mais bem-humorada e cruel de todas. Mostrou que dificuldades são comuns em todo canto do planeta: sem dinheiro para pagar o aluguel, fecharam o escritório 
e acamparam em casa; ¶ Max Kisman realizou uma longa , as vezes complexa, digressão sobre suas origens de forma emocionante; ¶ falando em português, Antonio Silveira Gomes mostrou o resgate de O livro homem do poeta português Paulo de Cantos; ¶ a brasileira Marina Willer encantou com sua apresentação sobre acasos e erros; ¶ Kenya Hara mostrou indiretamente suas ideias em brilhantes, engraçados e interessantes projetos de seus alunos… aula magna ou curso de extensão de vinte minutos. Inesquecíveis também foram ¶ a cínica e humorada performance de Jan Wilker; ¶ a tensa leitura da dinamarquesa Nikki Gonnissen; e ¶ a mostra jazzística de Niklaus Troxler. RicoLins e Kiko Farkas, ao lado de Lars Müller, foram os comandantes da festa.

Eye Magazine #88. Education: Open Up the Future, texto Claudio Ferlauto
Eye Magazine #88. Education: Open Up the Future, texto Claudio Ferlauto

A trilogia Wollner

24 de novembro de 2014

¶ O livrão do Alex é para estrangeiros, e brasileiros que, além de imagens, lêem alemão ou inglês. Catálogo da mostra alex wollner brasil: design visual realizada em Frankfurt, no Museum Angewandte Kunst é a obra que completa uma trilogia iniciada pela edição de Design: 50 anos, de 2002 e seguida por Alexandre Wollner: e a formação do design moderno no Brasil, de 2005. O primeiro do próprio Wollner e o segundo um projeto de André Stolarski, que compunha com um vídeo, um ensaio compacto sobre as ideias e obras do autor. [Há também o livro da Rosari, editado por mim, intitulado Textos recentes e escritos históricos de 2002] ¶ Essa obra de 2013 amplia –com um olhar retrospectivo e ao mesmo tempo atual,– a obra do designer. Aspectos sedutores de sua produção e de suas experiências pessoais são revelados com minúcias por olhares: críticos de Malou von Muriat e André Stolarsi e, sobretudo, pela visão do autor. ¶ Mas dois aspectos chamam a atenção na obra: o resgate iconográfico do longo trajeto de Wollner pela MASP, Escola de Ulm, forminform, ESDI, Wollner Designo; e sua rigorosa postura metodológica, que tem servido de norte para muitas gerações de jovens no Brasil. As fotos na Alemanha, São Paulo e Rio de Janeiro enriquecem e humanizam o designer e os projetos recentes reforçam sua relevância nos dias atuais. ¶ Os detalhes visuais que nascem das pesquisas são tanto encantadores como esclarecedores de seu pensamento: o design de Wollner é sempre fiel às suas origens modernistas.Screen shot 2014-11-24 at 7.46.08 PM

PORQUE AS CRIANÇAS DEVEM APRENDER A PROGRAMAR. E VOCÊ TAMBÉM

24 de novembro de 2014

[…] A liberdade de decisão de pressionar uma tecla com a ponta do dedo mostra-se como uma liberdade programada, como uma escolha de possibilidades prescritas. O que escolho, o faço de acordo com as prescrições. ¶ Por isso, é como se a sociedade do futuro [a atual], imaterial, se dividisse em duas classes: a dos programadores e a dos programados. A primeira seria daqueles que produzem programas, e a segunda, daqueles que se comportam conforme os programas. A classe dos jogadores e a classe das marionetes. Mas essa visão parecer ser muito otimista. Pois o que os programadores fazem quando pressionam as teclas para jogar com símbolos e produzir informações é o mesmo movimento de dedos feitos pelos programados. Eles também tomam decisões dentro de um programa, que poderíamos chamar de “metaprograma”. E os jogadores do metaprograma, por sua vez pressionam metateclas de um “metametaprograma”. E esse recurso de meta a meta, de programadores dos programadores de programadores, revela-se infinito. Não: a sociedade do futuro [a atual], imaterial, será uma sociedade sem classes, uma sociedade de programados programadores. Essa é portanto a liberdade de decisão que nos é aberta pela emancipação do trabalho. Totalitarismo programado. ¶ Mas trata-se certamente de um totalitarismo extremamente satisfatório, pois os programas são cada vez melhores. Ou seja, eles contêm uma quantidade astronômica de possibilidades de escolha que ultrapassa a capacidade de decisão do homem. De modo que, quando estou diante de uma decisão, pressionando teclas, nunca me deparo com os limites do programa. […]
VILÉN FLUSSER,
A não coisa [2],
em O mundo codificado, CosacNaify.

OlharGráfico/revista Abigraf#272 Julho–Agosto

23 de outubro de 2014

olhar gráfico
a trilogia wollner

¶ O livrão do Alex é para estrangeiros, e brasileiros que, além de imagens, lêem alemão ou inglês. Catálogo da mostra alex  wollner brasil: design visual realizada em Frankfurt, no Museum Angewandte Kunst é a obra que completa uma trilogia iniciada pela edição de Design: 50 anos, de 2002 e seguida por Alexandre Wollner:  e a formação do design moderno no Brasil, de 2005. O primeiro do próprio Wollner e o segundo um projeto de André Stolarski, que compunha com um vídeo, um ensaio compacto sobre as ideias e obras do autor. ¶ Essa obra de 2013 amplia –com um olhar retrospectivo e ao mesmo tempo atual,– a obra do designer. Aspectos sedutores de sua produção e de suas experiências pessoais são revelados com minúcias por olhares: críticos de Malou von Muriat e André Stolarsi e, sobretudo, pela visão do autor. ¶ Mas dois aspectos chamam a atenção na obra: o resgate iconográfico do longo trajeto de Wollner pela MASP, Escola de Ulm, forminform, ESDI, Wollner Designo; e sua rigorosa postura metodológica, que tem servido de norte para muitas gerações de jovens no Brasil. As fotos na Alemanha, São Paulo e Rio de Janeiro enriquecem e humanizam o designer e os projetos recentes reforçam sua relevância nos dias atuais. ¶ Os detalhes visuais que nascem das pesquisas são tanto encantadores como esclarecedores de seu pensamento: o design de Wollner é sempre fiel às suas origens modernistas.
OlharGráfico
AGI Open

Agosto abriu o semestre do design gráfico em São Paulo com inúmeras atrações. A principal foi a realização do AGI Open São Paulo, e um conjunto de palestras com dezenas de designers do mundo todo que palestraram no teatro Ibirapuera. Duas delas fizeram a plateia delirar:  ¶ a de Guto Lacaz e suas ideias luminosas e instigantes, obrigou o público e os visitantes refletir sobre o Brasil com sua performance dedicada ao designer Santos Dumont; ¶ Takuma Sato, o japones que também tem uma banda musical, mostrou seu programa de TV sobre design, para criancas, deixando embasbacados aqueles que ainda trabalham dentro dos fronteiras tradicionais do design gráfico. Fronteiras foi o que não se viu: ¶ a dupla holandesa-portuguesa Rik & José fez a apresentação mais bem-humorada e cruel de todas. Mostrou que dificuldades são comuns em todo canto do planeta: sem dinheiro para pagar o aluguel, fecharam o escritório e acamparam em casa; ¶ Max Kisman realizouuma longa , as vezes complexa, digressão sobre suas origens de forma emocionante; ¶ falando em português, Antonio Silveira Gomes mostrou o resgate de O livro homem do poeta português Paulo de Cantos; ¶ a brasileira Marina Willer encantou com sua apresentação sobre acasos e erros; ¶ Kenya Hara mostrou indiretamente suas ideias em brilhantes, engraçados e interessantes projetos de seus alunos. aula magna ou curso de extensão de vinte minutos. Inesquecíveis também foram ¶ a cínica e humorada performance de Jan Wilker; ¶ a tensa leitura da dinamarquesa Nikki Gonnissen; e ¶ a mostra jazzística de Niklaus Troxler. RicoLins e Kiko Farkas, ao lado de Lars Müller, foram os comandantes da festa.

Desk top, 2014

16 de outubro de 2014

Screen shot 2014-10-16 at 12.00.50 PM

Revista Gráfica #91–92 editor Miran

27 de setembro de 2014
Desenho de Cadernos de Nota, Claudio Ferlauto

Desenho de Cadernos de Nota, Claudio Ferlauto

A ARTE UNE O REINO ESPIRITUAL AO MATERIAL, Camille Paglia

27 de setembro de 2014

Imagens cintilantesImagens cintilantes.

Uma viagem através da arte.

Camille Paglia,

Apicuri, 2014.

Precisamos reaprender a ver. Em meio a tamanha e neurótica poluição visual, é essencial encontrar o foco, a base da estabilidade, da identidade e da direção da vida. As crianças sobretudo, merecem ser salvas desse turbilhão de imagens tremeluzentes  que as vicia em distrações sedutoras e fazem a realidade social, com seus deveres e preocupações éticas parceria estúpida e fútil. A única maneira de ensinar o foco é oferecer aos olhos oportunidades de percepção estável —e o melhor caminho para isso é a contemplação da arte. Olhar para a arte exige sossego e receptividade, mas é uma empreitada que restaura nossos sentidos e produz uma serenidade mágica.

[…]

As belas artes estão encolhendo e recuando no mundo inteiro. Vídeo games, em animação digital e esportes na TV têm muito mais energia e variedade, além de um impacto muito mais significativo sobre as gerações mais jovens. As artes estão travando um combate de retaguarda, com sua própria sobrevivência em jogo. Os museus têm adotado a publicidade e as mesmas técnicas de marketing inventadas por Hollywood para atrair multidões […] mas os grandes cartazes continuam sendo os Velhos Mestres ou a pintura impressionista, e não a arte contemporânea. Nenhum estilo galvanizados surgiu desde a Pop Art, que matou a vanguarda ao abraçar a cultura comercial. […] E entretanto por quinhentos anos, desde a aurora do Renascimento, as mais complexas e particularmente expressivas obras de arte já produzidas no mundo foram executadas em pintura —da têmpera e óleo ao acrílico. O declínio da pintura desconectou futuros artistas de sua mais nobre linhagem.

Em tempos de máquinas tentadoras e mágicas, uma sociedade que esquece a arte corre o risco de perder a alma.

[…]

A questão mais importante acerca da arte é: o que permanece, e por quê? as definições de beleza e os padrões de gosto mudam constantemente, mas padrões persistente subsistem. Defendo uma visão cíclica da cultura: os estilos crescem, chegam ao ápice e decaem, para tornarem a florescer, num renascer periódico. A linha de influência artística pode ser vista claramente na cultura ocidental, com várias interrupções e recuperações, desde o Egito antigo até hoje —uma saga de 5 mil anos que não é (como diria o jargão acadêmico) uma “narrativa” arbitrária e imperialista. Grande número de objectos teimosamente concretos —não apenas “textos” vacilantes e subjectivos— sobrevivem desde a antiguidade e as sociedades que moldaram. ¶ A civilização é definida pelo direito e pela arte. As leis governam o nosso comportamento exterior, ao passo que a arte define nossa alma. Às vezes a arte glorifica o direito, como no Egito; às vezes desafia a lei como no Romantismo. O problema com as abordagens marxistas que hoje permeiam o mundo académico (via pós-estruturalismo e Escola de Frankfurt) é que o marxismo nada enxerga além da sociedade. O marxismo carece de metafísica —isto é, de uma investigação da relação do homem com o universo, inclusive a natureza. O marxismo também carece de psicologia: crê que os seres humanos são motivados apenas por necessidades e desejos materiais. Ele não consegue dar conta das infinitas refracções da consciência, das aspirações e das conquistas humanas. Por não perceber a dimensão espiritual da vida ele reduz reflexivamente a arte à ideologia […].

John Dewey: artes tecnológicas e úteis

17 de setembro de 2014

John Dewey
em Arte como experiência (Martins Fontes, 2012)
A organização das energias
Tel antigoO elemento comum a todas as artes, tecnológicas e úteis, é a organização da energia como meio para produzir um resultado. Nos produtos que nos parecem meramente úteis, nosso único interesse está em algo além da coisa, e, quando não nos interessamos por esse produto ulterior, somos indiferentes ao objeto em si. Podemos passar por ele sem realmente vê-lo, ou ele pode ser displicentemente  inspecionado, ao olharmos para uma curiosidade que nos dizem ser notável. No objeto estético, o objeto opera —como também pode fazer, é claro, um objeto que tenha utilidade externa— no sentido de reunir energias que estiveram separadamente ocupadas em lidar com muitas coisas diferentes em diferentes ocasiões, e de lhes dar aquela organização rítmica particular que chamamos (pensando no efeito, e não no modo de efetuação), esclarecimento, intensificação, concentração. As energias que permanecem em estado potencial em relação umas às outras, por mais que sejam reais em si, evocam e reforçam diretamente umas às outras, em prol da experiência resultante. ¶ O que se aplica à produção original se aplica à percepção apreciativa. Falamos em percepção e seu objeto. Mas a percepção e seu objeto se constroem esse complementam em uma mesma operação contínua. Aquilo que chamamos o objeto, A nuvem, rio ou peça de vestuário lhe tem imputado uma existência independente de experiência real; isso se aplica ainda mais no que chamamos de molécula de carbono, O íon de hidrogénio, as entidades da ciência de um modo geral.

¿A maça de Turing ou de Disney?

17 de setembro de 2014

Screen shot 2014-09-17 at 5.19.25 PMUma vez tempos atrás quatro jovens se acreditavam mais importantes que Jesus.  ¿Existe macã mais famosa que a do Paraíso? Steve Jobs deve 
ter pensado algo semelhante: a minha é mais do que a de Adão&Eva. Ponto. ¶ Essa fruta popular e saborosa pode representar a maçã com sicuta que Alan Turing preparou para dar fim às suas pesquisas e à sua vida. ¶ Outros  —mal intencionados— afirmam ser a macã da Branca de Neve; alguns 
ingênuos, lembram a de Adão e Eva; e os cientistas afirmam referir-se ao caso de Newton com a gravidade.Após ter se livrado das listras coloridas do arco íris e da moda passageira do visual 3D ela pede um reposicionamento: ficou velha e está apodrecendo. ¶ E, além do mais, a mordida não tem origem semântica: um antigo colaborador da empresa, afirmou em off, que a mordida foi criada para distinguí-la da minúscula cereja.

O que é estético? segundo John Dewey

4 de setembro de 2014

Em  ARTE COMO EXPERIÊNCIA, John Dewy, Martins Fontes, 2012

A criação da obra de arte define o campo que Dewey às vezes chama de ‘artístico’, distinto do ‘estético’, que é o campo da resposta apreciativa. A confusão é gerada pela circunstância de, no uso comum ‘estético’ ser também usado para significar qualquer coisa relacionada com a arte, qualquer coisa relacionada com a filosofia da arte ou qualquer coisa relacionada com obras de arte de alta qualidade.

Na introdução de Abraham Kaplan.

& segundo Dewey:

Na língua inglesa não há uma palavra que inclua de forma inequívoca o que é expresso pelas palavras ‘artístico’ e ‘estético’.
Visto que ‘artístico’ se refere primordialmente ao ato da produção e ‘estético’ ao da percepção e prazer, a inexistência de um termo que designe o conjunto dos dois processos é lamentável.
[…]
A palavra ‘estético’ refere-se, como já assinalamos, à experiência como apreciação, percepção e deleite.
Mais denota o ponto de vista do consumidor do que o do produtor.
É o gosto e tal como na culinária, a clara ação habilidosa fica ao lado do cozinheiro que prepara os alimentos
[…].
Essa ilustração, porém, assim como a relação existente ao se ter uma experiência entre o agir e o ficar sujeito a algo,
indicam que uma distinção entre o estético e o artístico não pode ser levada a ponto de se tornar uma separação.