O mundo existe para chegar a um livro

18 de dezembro de 2015

Do culto dos livros
Jorge Luis Borges
No oitavo livro da Odisseia se lê que os deuses tecem desditas para que não falta às futuras gerações algo que cantar; a declaração de Mallarmé: O mundo existe para chegar a um livro, parece repetir, uns trinta séculos depois, o mesmo conceito de uma justificativa estética dos males. As duas teleologias, sem dúvida, não coincidem integralmente, a do grego corresponde a época da palavra oral, e a do francês, a da palavra escrita. Em uma se fala de cantar e em outra, de livros. Um livro, qualquer livro, é para nós um objecto sagrado: já Cervantes, que talvez não escutava tudo que diziam as pessoas, lia até “os papeis rasgados das sarjetas”. O fogo, em uma das comédias de Bernardo Shaw, ameaça a Biblioteca de Alexandria, e alguém exclama que arderá a memória da humanidade, e Cesar lhe diz: “Deixe-a arder. É uma memória de infâmias”. O Cesar histórico, na minha opinião, aprovaria ou condenaria o opinião que o autor lhe atribui, mas não o julgaria, como nós, uma brincadeira sacrílica. A razão é clara: para os antigos a palavra escrita não era outra coisa que um sucedâneo da palavra oral. ¶ É sabido que Pitágoras não escreveu; Gomperz em Griechische Denker defende que trabalhou assim por ter mais fé na virtude da instrução falada. De maior força que a mera abstenção de Pitágoras é o testemunho inequívoco de Platão. Este em Timeu, afirmou: “É  tarefa dura descobrir o criador e pai deste universo, e, uma vez descoberto, é impossível declarar-lo a todos os homens”, e em Fedro narrou uma fábula egípcia contra a escrita (cujo hábito faz que a gente descuide de exercitar a memória e dependa de símbolos), e afirmou que os livros são como figuras pintadas, “que parecem vivas, mas não respondem uma palavra para as perguntas que os fazem”. Para atenuar, ou eliminar este inconveniente imaginou o diálogo filósófico. O mestre elege o discípulo, mas o livro não elege seus leitores, que podem ser mal intencionados ou estúpidos; esta desconfiança platónica perdura nas palavras de Clemente de Alexandria, homem de cultura pagã: “O mais prudente é não escrever senão aprender e ensinar de viva voz, porque o escrito permanece” (Stromateis), e nestas do mesmo tratado: “Escrever em um livro todas as coisas é como deixar uma espada nas mãos de uma criança”, que derivam também de palavras do Evangelho: “Não dê o que é santo aos cães ou jogue suas pérolas diante dos porcos, pois eles destruirão tudo sob os seus pés,[…]. Esta frase é Jesus, o maior dos professores orais, que escreveu uma só vez algumas palavras na terra e nenhum homem as leu.

É preciso recuar a 1997, tempo que te parecerá pré-histórico mas que para mim não o é.

15 de dezembro de 2015

Giuseppe Tomasi di Lampedusa
La sirena è un racconto lungo di Giuseppe Tomasi di Lampedusa, noto anche come Lighea.
No Brasil publicado pela L&PM como O senador e a Sereia

Sabes, eu, no fundo te quero bem: a tua ingenuidade me comove, a franqueza das tuas maquinações vitais me diverte; e depois me parece ter compreendido que tu, como ocorre com alguns sicilianos da melhor espécie, conseguiste realizar a síntese dos sentidos e da razão. Mereces então que eu não te deixes de mãos abanando, sem ter explicado as razões de algumas minhas estranheza, de algumas frases que eu disse diante de ti e que decerto te pareceram dignas de um maluco. Protestei sem convicção: “Não compreendi muitas coisas ditas pelo senhor, mas sempre atribuí essa incompreensão à falta de condições da minha mente, nunca a uma aberração da sua.” Deixa estar, […], dá no mesmo. Todos nós velhos parecemos malucos a vocês jovens e, em vez disso, , seguidamente ocorre o contrário. Para explicar-me, porém, deverei contar-te a minha aventura, que é incomum. Ela aconteceu quando eu era aquele rapaz ali, e me indicava a sua fotografia. É preciso recuar a 1887, tempo que te parecerá pré-histórico mas que para mim não o é

Papo typo-rapid

12 de dezembro de 2015

Na conferência Face Forward em Dublin apresentamos um trabalho sobre como os padrões e estruturas, identificadas e extraídas a partir dos arquétipos da Renascença, e que podem ser usadas para a educação e para analisar e parametrizar o design tipográfico atual. Meu PhD na Universidade de Leiden é conduzido para testar a hipótese de que Gutenberg e consortes desenvolveu um sistema padronizado e mesmo unificado para o ‘design’ e para textura das matrizes metálicas, e que este sistema foi basicamente extrapolados/desenvolvidos para a produção do tipo romano na Itália renascentista. Alguns resultados da minha pesquisa foram escritos em um software. Vou brevemente fazer a demonstração de uma ferramenta preliminar que foi desenvolvida em cooperação com o Google, e as extensões que foram escritas por Lukas Schneider para RoboFont (ver imagem) e Glyphs.
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Peter Van Lancker: Você tem alguma indicação de que esses padrões podem contribuir para melhorar a legibilidade pela via estética (as pessoas parecem estar se acalmou por “regularidade”, “ritmo” etc.) ou na leitura de rotina/habitual (como podemos ler melhor é como nós costumamos ler)? Eu não estou questionando a existência desses padrões e estruturas — embora eles podssam ter sido adaptados em no período modernista por intermédio do sistema de grade 18 unidade da Monotype – Eu só quero saber se eles são relevantes para, por exemplo, auxiliar a leitura de crianças com problemas de leitura?

Frank E. Blokland.  A legibilidade do IMHO é sempre relativa a um modelo por causa do condicionamento. O padrão como, por exemplo, capturado por Lukas Schneider no LS Cadencer está na raiz do tipo romano. Assim, por definição, esta padronização é um elemento essencial quando se trata de (de medição) legibilidade. Quando se trata de crianças com problemas de leitura: ontem Ann Bessemans deu uma palestra em que ela mostrou que uma certa perturbação -deliberate- desta padronização (ela pegou meu DTL Documenta como base para sua pesquisa sobre tipo serigado) pode ser útil, nesse caso. BTW, você vai encontrar uma nota sobre a normalização ea individualização da Monotype em meus slides para hoje: <http: //www.lettermodel.org /…/ Application_of_archetypal …>

Peter Van Lancker. Planejei a famíliai Matilda para crianças com deficiência visual, mas eu planejava usá-la como uma fonte de controle, se possível, em um grande teste no próximo ano, em colaboração com algumas pessoas da universidade local. Estou mais particularmente interessados em níveis AVI3-5, onde serifas não são apreciados e na verdade acho que todas as sans serifas são altamente “irregulares”. Os testes preliminares parecem indicar que as crianças ainda preferem mais irregularidade que as encontradas nas atuais campeães como Verdana e Frutiger.

Ann Bessemans. Oi! Peter Van Lancker: se possível seria ótimo poder colaborar nos teste do próximo ano. Em meu estudo, as crianças relacionam as sãs serif com a escola, e as seriadaf leituras de textos longos (subjetiva). Se o interesse se resume a legibilidade (objetivo) ele erraram menos com as seriadas. Eu testei em termos de habilidades de decodificação. No início de 2016 os testes estão planejados sobre o ritmo da heterogeneidade.

Peter Van Lancker. Eu acho que depende em parte da idade e do nível: serifas estão associados com letras para adultos, Comic Sans e outras  com letras de crianças. Para as crianças normais acho que o problema é bastante trivial. Mas estou bastante interessado em crianças com necessidades especiais, deficientes visuais ou não “disléxicos”…Tua colaboração seria ótima… até o momento, duas escolas concordaram para o teste. Eventual comparação dos resultados é inevitável, claro.

O livro não elege seus leitores […] Jorge L.Borges

24 de novembro de 2015

Do culto dos livros (parte 02)
Jorge Luis Borges

É sabido que Pitágoras não escreveu; Gomperz em Griechische Denker defende que trabalhou assim por ter mais fé na virtude da instrução falada. De maior força que a mera abstenção de Pitágoras é o testemunho inequívoco de Platão. Este em Timeu, afirmou: “É  tarefa dura descobrir o criador e pai deste universo, e, uma vez descoberto, é impossível declarar-lo a todos os homens”, e em Fedro narrou uma fábula egípcia contra a escrita (cujo hábito faz que a gente descuide de exercitar a memória e dependa de símbolos), e afirmou que os livros são como figuras pintadas, “que parecem vivas, mas não respondem com nenhuma palavra as perguntas que os fazem”. Para atenuar, ou eliminar este inconveniente imaginou o diálogo filósófico. O mestre elege o discípulo, mas o livro não elege seus leitores, que podem ser mal intencionados ou estúpidos; esta desconfiança platônica perdura nas palavras de Clemente de Alexandria, homem de cultura pagã: “O mais prudente é não escrever mas aprender e ensinar de viva voz, porque o escrito permanece” (Stromateis), e nestas palavras do mesmo tratado: “Escrever em um livro todas as coisas é como deixar uma espada nas mãos de uma criança”, que derivam também de palavras do Evangelho: “Não dê o que é santo aos cães ou jogue suas pérolas diante dos porcos, pois eles destruirão tudo sob os seus pés,[…]. Esta frase é Jesus, o maior dos mestres da oralidade, que escreveu uma só vez algumas palavras na terra e nenhum homem as leu.

…se conselho fosse bom, seria pago.

24 de novembro de 2015

Um Manifesto Incompleto para o Crescimento
por Bruce Mau, 1999

1. Deixa que os acontecimentos te transformem. Tens que estar disposto a crescer. O crescimento não é apenas algo que te acontece, mas sim algo que tu produzes e vives. Os pré-requisitos para o crescimento são a abertura para experienciar os acontecimentos, e a predisposição para ser transformado por estes.
2. Esquece o bom. O bom é uma quantidade conhecida. O bom é aquilo com que todos concordamos. O crescimento não é necessariamente bom. O crescimento é uma exploração de recantos obscuros que se podem ou não submeter à nossa pesquisa. Enquanto estiveres apegado ao bom nunca vais conhecer o verdadeiro crescimento.
3. O processo é mais importante do que o resultado. Enquanto for o resultado a determinar o processo, chegaremos apenas até onde já estivemos. Se for o processo a determinar o resultado, poderemos talvez não saber para onde vamos, mas saberemos que é lá que queremos estar.
4. Ama as tuas experiências (como amarias uma criança feia). A alegria é o motor do crescimento. Explora a liberdade de entender o teu trabalho como uma série de belas experiências, iterações, ensaios, tentativas e erros. Vê mais além, e permite-te a ti próprio a alegria de falhar um pouco todos os dias.
5. Aprofunda. Quanto mais fundo mergulhares em algo, mais probabilidades terás de descobrir alguma coisa de valor.
6. Captura acidentes. A resposta errada é a resposta certa em busca de outra questão. Colecciona respostas erradas como parte do processo. Coloca questões diferentes.
7. Estuda. Um estúdio é um local de estudo: usa a necessidade de produção como uma desculpa para estudar. Todos irão beneficiar disso.
8. Divaga. Permite-te a ti mesmo divagar sem objetivos, explora os adjacentes, passa de julgamentos, adia o criticismo.
9. Começa por qualquer lado. Segundo John Cage, não saber por onde começar é uma forma comum de paralisia. O seu conselho? Começa por qualquer lado.
10. Todos podem ser lideres. O crescimento é algo que acontece espontaneamente: sempre que assim seja, permite que este venha ao de cima. Aprende a seguir quando sempre que isso faça sentido, deixando qualquer outro liderar.
11. Cultiva as ideias. Repensa as aplicações. As ideias precisam de um ambiente dinâmico, fluido e generoso para ganharem vida. As aplicações, por outro lado, beneficiam de rigor crítico. Produz um elevado ratio de ideias por aplicação.
12. Mantem-te em movimento. O mercado tem tendência para reforçar o sucesso. Resiste-lhe e permite que a falta de sucesso e a migração façam parte do teu processo de trabalho.
13. Abranda. Dessincroniza-te dos ritmos convencionais do tempo, e poderás ser surpreendido por oportunidades inesperadas.
14. Não sejas fixo. O fixo é o medo conservador vestido de preto: liberta-te de todos os limites deste tipo.
15. Faça perguntas estúpidas. O crescimento é alimentado pelo desejo e pela inocência. Avalia a resposta e não a questão. Imagina como seria ires aprendendo pela tua vida fora ao mesmo ritmo que uma criança.
16. Colabora. O espaço entre pessoas que trabalham juntas está recheado de conflito, fricção, discórdia, euforia, deleite… e de um vasto potencial criativo.
17. _________________. Intencionalmente deixado em branco. Arranja espaço para as ideias que ainda não tiveste, bem como para as dos outros.
18. Fica acordado até tarde. Coisas estranhas acontecem quando vamos longe demais, quando estamos acordados há horas demais, ou trabalhámos demais, e nos encontramos separados do resto do mundo.
19. Explora a metáfora. Cada objecto tem a capacidade de representar algo mais para além do aparente. Explora aquilo que este representa.
20. Tem cuidado com os riscos que corres. O tempo é genético: o hoje é filho do ontem e pai do amanhã. O trabalho que produzes hoje vai moldar o teu futuro.
21. Repete-te. Se gostaste do que fizeste, volta a fazer. Se não gostaste, volta a fazer na mesma.
22. Cria as tuas próprias ferramentas. Desenvolve ferramentas híbridas no sentido de construíres coisas únicas. Até as mais simples ferramentas, desde que sejam são só tuas, te podem proporcionar rotas completamente novas de exploração. Lembra-te que, se as ferramentas amplificam as nossas capacidades, até uma pequena ferramenta pode fazer uma grande diferença.
23. Anda às cavalitas de alguém. Podes viajar muito mais longe quando transportado pelas conquistas de quem veio antes de ti. E a vista é muito melhor.
24. Evita o software. O problema do software é que toda a gente o tem.
25. Não limpes a tua secretária. Podes encontrar algo interessante amanhã de manhã que te tenha escapado hoje à noite.
26. Não entres em concursos e competições. Não o faças e ponto. Não é bom para ti.
27. Lê apenas as páginas esquerdas dos livros. Marshall McLuah defendia que, ao diminuir a quantidade de informação, deixamos espaço livre para preenchermos com as nossas próprias ideias.
28. Inventa palavras novas. Expande o teu léxico: novas condições requerem novas formas de pensar, que por sua vez requerem novas formas de expressão. E novas formas de expressão geram novas condições.
29. Pensa com a cabeça. Esquece a tecnologia. A criatividade não depende de aparelhos.
30. Organização = Liberdade. A verdadeira inovação no Design, ou em qualquer outro campo, acontece em contexto. Esse contexto consiste normalmente nalgum tipo de empresa gerida cooperativamente. Se Frank Gehry, por exemplo, logrou implementar o Guggenheim em Bilbao, foi porque o seu estúdio o conseguiu construir dentro do orçamento. O mito de uma divisão entre “criativos” e “executivos” é hoje aquilo a que Leonard Cohen chama um “encantador artefacto do passado”.
31. Não peças dinheiro emprestado. Mais um conselho de Frank Gehry: mantendo o controlo financeiro, mantemos também o controlo criativo. Não sendo necessária grande ciência para entender isto, é surpreendente o quão difícil é mantermos a disciplina neste campo, e quantos antes de nós falharam.
32. Escuta atentamente. Todo e qualquer colaborador que entra na nossa órbita traz consigo um mundo muito mais estranho e complexo do que alguma vez poderíamos imaginar. Ao escutar os detalhes e sutilezas das suas necessidades, desejos ou ambições, integramos o seu mundo no nosso. Nenhuma das partes voltará alguma vez a ser igual.
33. Faça viagens de estudo / trabalho de campo. A largura de banda do mundo é bem maior do que a da tua televisão, da Internet, ou mesmo da de um eventual ambiente virtual completamente imersivo, interativo e simulado graficamente por computador em tempo real.
34. Erre mais rápido. Esta ideia não é minha, pedi-a emprestada (penso que a Andy Grove).
35. Imita. Não tenhas vergonha, tenta chegar o mais próximo possível. Nunca chegarás realmente lá, e a separação pode ser verdadeiramente notável. Basta olharmos para Richard Hamilton e para a sua versão do copo grande de Marcel Duchamp, para percebermos o quão rica, desacreditada e subestimada a imitação é como técnica.
36. Improvisa (no original scat). Quando te esqueceres das palavras, faz como a Ella: inventa qualquer outra coisa… tudo menos palavras.
37. Parte, estica, dobra, esmaga, racha, vinca.
38. Explora o outro lado. Existe grande liberdade em evitarmos acompanhar todas as inovações tecnológicas, já que de qualquer maneira acabamos por nunca conseguir estar na máxima vanguarda. Experimenta usar equipamento antigo que, tornado obsoleto pelo ciclo económico, ainda assim mantém grande potencial.
39. Pausas para café, boleias de táxi, salas de espera. O verdadeiro crescimento acontece frequentemente fora dos locais pretendidos, nos chamados não-lugares, ou locais de espera. Hans Ulrich Obrist organizou certa vez uma conferência de artes e ciência, com todas as infra-estruturas de uma conferência – as recepções, os almoços, as chegadas ao aeroporto – tudo excepto a conferência propriamente dita. A brincadeira acabou por ser um grande sucesso e gerar uma série de colaborações futuras.
40. Evita os campos. Salta as vedações. As fronteiras disciplinares constituem tentativas de controlar a espontaneidade selvagem da vida criativa. São esforços por vezes compreensíveis de ordenar processos multifacetados, complexos e evolutivos. A nossa missão é saltar as vedações e atravessar os campos.
41. Ri. Quem visita o nosso estúdio comenta frequentemente o quanto nós rimos. Desde que me apercebi desse fato, uso-o como barômetro para medir o quão confortavelmente nos estamos a exprimir em cada situação.
42. Lembra-te. O crescimento é apenas possível como produto da História. Sem memória, a inovação é apenas novidade: a História dá uma direcção ao crescimento. Mas a memória não é perfeita. Toda a memória é uma imagem degradada ou composta de um evento ou momento prévio. E é isso que nos dá a consciência da sua qualidade de passado e de não presente. Significa que cada memória é nova, uma construção parcial diferente da sua fonte e, como tal, constitui potencial crescimento por si mesma.
43. Power to the people. O jogo só é possível quando as pessoas sentem que têm controlo sobre as suas próprias vidas. Não podemos ser agentes livres enquanto não formos livres.

‘What Design Can Do’: uma jornalista portuguesa

20 de novembro de 2015

Conversamos com participantes do evento ‘What design can do’, que se realiza na FAAP dias 7 e 8 de dezembro próximo.

A portuguesa Mariana Santos é jornalista, ativista por direitos humanos. Trabalha para o canal Fusion e lidera o Chicas Poderosas, projeto que criou como bolsista do ICFJ Knight em 2013. É coorganizadora do  19 Million Project, uma coalizão de jornalistas, programadores, designers e estrategistas digitais e cidadãos de todo o mundo se reunindo para enfrentar a crise migratória do Mediterrâneo

1) Porque os jornalistas (e seus públicos) estão tão interessados em design neste momento? Conheces algum aspecto do cenário do design no Brasil? Ou tens alguma espectativa ou referência?
Mariana – As ‘medias’ neste momento estão sofrendo uma mudança muito forte, passando do impresso para o digital – e movel – trazendo nesta mudança *forçada todos os profissionais relacionados com a indústria: jornalistas, designers, programadores, publicitarios etc. O design thinking ocupa um papel fundamental na forma de trabalhar e colocar todo o mundo na mesma mesa pensando como vamos trabalhar juntos daqui para a Screen shot 2015-11-20 at 11.25.39 AMfrente, não só para nos adaptarmos como para sermos originais de forma a envolver os nossos públicos. Assim que o design mais que nunca esta ocupando um lugar fundamental na transformação das metodologias, processos e pensamento criativo. O Brasil é sem duvida uma vanguarda a nivel de design, da expressao artistica e da falta de medo que dê errado. Na minha opinião o Brasil ja há muito tempo tem dado uma grande lição de design thinking e design aproach para o mundo!
Eu tenho altas espectativas no reflexo do desing brasileiro para o exterior, não só pela forma como se destingue como
Na referência em que se está transformando.

2) Podes adiantar e formato e os temas de tua palestra?
Mariana – A minha palestra será uma reflexão e conversa dos beneficios de trazer design thinking e human centered design para a pratica jornalística e como esta estratégia pode vir balançar presupostos e dogmas, quebrando com os conceitos do que é *a forma certa* de fazer as coisas. Quando em tempos de crise tem de haver uma proposta original e desruptora para chutar a bola para frente e não nos deixar parados a observar pacificamente o estado caótico em que (as medias) nos encontramos.

‘What Design Can Do’: The Daily Gorilla na FAAP

20 de novembro de 2015

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Pepijn Zurburg,
criador De Designpolitie e de The Daily Gorilla,Coluna visual de política e assuntos atuais

What is the repercussion out of the middle of the designers of this public work of criticism and creation? You have published some mini-poster on Brazil: was there any reaction or comment Brazilian about it? Also what are your expectations about the Brazilian scene? Design and politics?
Zirburg • I think designers like what we do. In art school you are trained to be critical and reflective. ¶ About the Brazilian response: I don’t know. I’m curious how people will react. ¶ From what I noticed in my visit to SP last spring, I have the feeling that politics is a much greater topic amongst young people than it is in the Netherlands.
You could anticipate any topic of your lecture?
Zirburg • I’m not quiet sure what you are asking?! ;-) My lecture is not set yet. It probably will beabout politics, social criticism and design.

Rick Poynor em São Paulo, na FAAP

20 de novembro de 2015

Conversamos com três participantes do evento ‘What design can do’, que se realiza na FAAP dias 7 e 8 de dezembro próximo.
O primeiro foi Rick Poynor, editor, designer, professor, crítico.
Ver perfil em
Design Observer: http://designobserver.com/profile/rickpoynor/81
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1) His critical view is always interesting and challenging, but do not know any review of design in Brazil: do you have any idea about the design scene in Brazil? Or any expectation or reference?

I have never visited Brazil before and I don’t know the Brazilian design scene. I look forward to finding out more.

2) You can move forward and format and themes of your lecture?
My lecture will address the conference theme, but re-frame the title as a question: “What can design do?” I will look specifically at communication design. The lecture provides me with an opportunity to reconsider the possibilities of graphic communication.

Perhaps we will get the chance to meet at the conference. I look forward to it.

A palavra escrita não era outra coisa que um sucedâneo da palavra oral.

16 de novembro de 2015

Do culto dos livros/Jorge Luis Borges

No oitavo livro da Odisseia se lê que os deuses tecem desditas para que não falta às futuras gerações algo que cantar; a declaração de Mallarmé: O mundo existe para chegar a um livro, parece repetir, uns trinta séculos depois, o mesmo conceito de uma justificativa estética dos males. As duas teleologias, sem dúvida, não coincidem integralmente, a do grego corresponde a época da palavra oral, e a do francês, a da palavra escrita. Em uma se fala de cantar e em outra, de livros. Um livro, qualquer livro, é para nós um objeto sagrado: já Cervantes, que talvez não escutava tudo que diziam as pessoas, lia até “os papeis rasgados das sarjetas”.    O fogo, em uma das comédias de Bernardo Shaw, ameaça a Biblioteca de Alexandria, e alguém exclama que arderá a memória da humanidade, e Cesar lhe diz: Deixe-a arder. É uma memória de infâmias. O Cesar histórico, na minha opinião, aprovaria ou condenaria o opinião que o autor lhe atribui, mas não o julgaria, como nós, uma brincadeira sacrílica. A razão é clara: para os antigos a palavra escrita não era outra coisa que um sucedâneo da palavra oral.

Olhar Gráfico #279 Décio Pignatari et altri

10 de novembro de 2015

Décio com um limão verde na mão
Palestra realizada no evento Arquivo Décio Pignatari: Um lance de dados,
do Centro Cultural São Paulo, agosto de 2015.

Screen shot 2015-11-10 at 5.40.49 PM¶ Conheci Décio Pignatari em 1967 em Porto Alegre. Eram anos perturbados e agitados, e terminávamos o curso de arquitetura da UFRGS. Havia um clima efervescente na cultura brasileira pré Ato Institucional nº5. A Tropicália brigava com a Bossa Nova —dilmistas versus coxinhas— em tradução livre. Ele fora a Porto Alegre para um ciclo de palestras na qual também participava Umberto Eco, nesta época ainda semiólogo e Décio tentava convertê-lo à Semiótica. Foi a primeira vez que ouvi esta palavra esquisita, que ele muitas vezes brincava ser uma “meia ótica”. 
       ¶ No ano seguinte nos encontramos em São Paulo, era a época das novelas Nino, o italianinho e Beto Rockfeller. Uma noite saímos com os maestros Damiano Cozzella e Julio Medaglia que queriam convencer Gal Costa a cantar a peça modernista, Pierrot Lunaire, de Arnold Schonberg no Teatro Municipal. Ela ouviu a peça com uma cara assustadíssima, parecendo não entender nada e declinou do convite sem nem saber porque. Os três deram meia volta decepcionados e fomos para uma festa na Pompéia que parecia interessante. Em minutos ele sacou e falou: íamos ao Beto Rockfeller mas acabamos no Nino, o italianinho.
¶ Em 1973 mudamos para Sampa. E entramos em contato com ele. Na época Décio tinha uma agência de publicidade –a E=mc2–em sociedade com Chico de Andrade  para a qual desenvolvemos alguns projetos: 
um foi baseado em ideias dele para uma embalagem de óleo de cozinha, que tinha uma boca bem grande, em ambas as faces, bem no centro da lata. Dois anos depois ele nos levou para o IDART, junto com Cozzella, Julio Plaza, Fernando Lemos, Maria Theresa Vargas, Lucrécia  Ferrara, Raphael Buongermino Netto e outros, onde foi diretor. Em seguida nos chamou para trabalhar com ele e Lucrécia na sequência de Desenho Industrial na FAU, onde dávamos um curso de Leitura do Ambiente Urbano, com o suporte da Semiótica de Charles Sanders Pierce.
¶ Na FAU, além das aulas e das caronas para a Cidade Universitária, participamos de diversos projetos dele: capas de livros, na preparação do material para a Livre Docência, design de poemas, sempre acompanhados de grandes papos nos almoços semanais no apartamento das Perdizes.
¶ Saimos da FAU em 1987 e a vida nos separou. Ele decidiu viver uma ‘vida de artista’, mudou-se para casa do Fiaminghi, depois para Curitiba e passamos a acompanhar suas esporádicas visitas a SP nos artigos na Folha da S.Paulo e em encontros fortuitos em museus e exposições. O último encontro foi na exposição de fotografias do Lemos, na Pinacoteca, tinha acabado de publicar Bili com limão verde na mão, livroinfantil, pela Cosac Naify. Continuava o mesmo: arguto, crítico, amigo. Agosto 2015

Screen shot 2015-11-10 at 5.14.18 PMLETRAS eternas & fugazes
Editado por Paul Shaw, THE ETERNAL LETTER é uma obra completa sobre as capitalis monumentalis, famosas por causa da Coluna de Trajano e de milhares de outros sítios culturais no Ocidente. Constituída de mais de trinta ensaios –Jost Hochuli, Frank Blokland, Martin Majoor, Jonathan Hoefler, Cyrus Highsmith, Matthew Carter, Paul Shaw e outros– que versam sobre a romana mais famosa da história. Fartamente ilustrado, suas 258 páginas esmiuçam essas versais e as influências, de dois séculos, sobre o imaginário de milhares de leitores, escultores e tipógrafos.
THE ETERNAL LETTER – Two Millennia of the Classical Roman Capital,
The Mit Press, Cambridg, 2015.